Livros e leituras🔗

O Freeplane é uma ferramenta; o que se faz com ela vem de outro lugar. Esta é a bibliografia que sustenta as recomendações espalhadas por este guia, com uma avaliação honesta de cada item.

Mapas mentais🔗

Tony Buzan — The Mind Map Book (1993; ed. brasileira Mapas Mentais, Sextante, 2009) O livro que popularizou a técnica. As regras práticas são úteis; a fundamentação neurológica que ele oferece não sobreviveu ao escrutínio científico, e o tom é vendedor demais. Leia pelas técnicas, ignore as alegações sobre o cérebro.

Joseph Novak — Learning, Creating, and Using Knowledge (2. ed., Routledge, 2010) O criador do mapa conceitual — que é diferente do mapa mental: relações rotuladas, sem centro obrigatório. Fundamentação empírica de verdade, vinda da pesquisa em educação. Se você usa muito conectores, este livro explica por quê.

Tony Buzan — Use Your Head (BBC Books, várias edições) Mais curto e mais prático que o anterior. Boa porta de entrada.

Organização do pensamento e escrita🔗

Barbara Minto — The Pyramid Principle (Pearson, 3. ed., 2009) Sobre estruturar argumentos hierarquicamente para comunicar. É essencialmente sobre mapas mentais aplicados à escrita executiva, e as regras que ela dá — agrupamento MECE, ordem por importância — se aplicam diretamente à construção de um mapa.

Sönke Ahrens — How to Take Smart Notes (2. ed., 2022; ed. brasileira O Método Zettelkasten) A melhor exposição moderna do zettelkasten de Luhmann. Relevante para Zettelkasten no Freeplane — inclusive para entender por que uma ferramenta hierárquica não é a escolha óbvia para isso.

Niklas Luhmann — Kommunikation mit Zettelkästen (1981) O ensaio original, curto, disponível em tradução inglesa na web. Vale ler a fonte.

Cal Newport — Deep Work (Grand Central, 2016; ed. brasileira Trabalho Focado, Alta Books) Sobre o custo da fragmentação da atenção. Justifica o hábito de manter um único mapa de contexto em vez de trinta abas abertas.

Aprendizado🔗

Barbara Oakley — A Mind for Numbers (Tarcher, 2014; ed. brasileira Aprendendo a Aprender) Modos focado e difuso, repetição espaçada, prática intercalada. É a base do que está em Mapa de estudo.

Brown, Roediger e McDaniel — Make It Stick (Belknap Press, 2014; ed. brasileira Fixe o Conhecimento) Evidência experimental sobre o que funciona no estudo. A conclusão central — que reler é quase inútil e recuperar da memória é o que consolida — é o que justifica o ritual de revisão com filtros descrito neste guia.

Richard Feynman — “O Senhor Está Brincando, Sr. Feynman!” (Elsevier/Campus) Não é um livro sobre método, mas é de onde vem a técnica de explicar em linguagem simples como teste de compreensão. Vale pelo resto também.

Decisão e análise🔗

Daniel Kahneman — Thinking, Fast and Slow (2011; ed. brasileira Rápido e Devagar, Objetiva) Os vieses que atrapalham decisões. Explica por que explicitar critérios e pesos num mapa de decisão ajuda: não porque o número decide, mas porque o processo expõe o que a intuição escondeu.

Chip e Dan Heath — Decisive (Crown, 2013; ed. brasileira Decida-se, Alta Books) Prático e direto. O framework WRAP — ampliar opções, testar hipóteses, distanciar-se, preparar-se para errar — mapeia quase um a um na estrutura de mapa de decisão proposta neste guia.

Philip Tetlock e Dan Gardner — Superforecasting (Crown, 2015; ed. brasileira Superprevisões, Objetiva) Sobre calibração: por que revisitar decisões antigas é a única forma de melhorar as próximas.

Douglas Hubbard — How to Measure Anything (4. ed., Wiley, 2014) Para quem acha que os critérios do seu mapa de decisão “não dão para medir”.

Gestão de projeto🔗

Frederick Brooks — The Mythical Man-Month (ed. aniversário, Addison-Wesley, 1995; ed. brasileira O Mítico Homem-Mês, Alta Books) Cinquenta anos depois, continua correto sobre por que projetos atrasam. Leitura obrigatória para quem monta mapas de projeto.

Tom DeMarco e Timothy Lister — Peopleware (3. ed., Addison-Wesley, 2013) Sobre por que os problemas de projeto raramente são técnicos.

Documentação e informação🔗

Edward Tufte — The Visual Display of Quantitative Information (2. ed., Graphics Press, 2001) Sobre densidade de informação e a razão tinta/dado. Aplicável diretamente à decisão de quantas cores e ícones um mapa deve ter — a resposta de Tufte seria “menos que você acha”.

Edward Tufte — Envisioning Information (Graphics Press, 1990) Camadas, separação e microtipografia. Justifica a recomendação de usar poucas cores com significado fixo.

Software livre e formatos duráveis🔗

Eric Raymond — The Cathedral and the Bazaar (O’Reilly, 1999) Sobre o modelo de desenvolvimento que produziu o Freeplane.

Kernighan e Pike — The Practice of Programming (Addison-Wesley, 1999) O capítulo sobre formatos de texto explica, melhor que qualquer coisa, por que o .mm ser XML importa tanto quanto importa.

Documentação do próprio Freeplane🔗

O tutorial embutido (Ajuda → Documentação) é um mapa Freeplane e vale abrir pelo menos uma vez — é simultaneamente documentação e demonstração.

A documentação oficial vive em docs.freeplane.org — é a mais completa que existe, ainda que desigual e majoritariamente em inglês. O antigo wiki freeplane.org/wiki foi desativado, mas o seu conteúdo está preservado ali sob attic/old-mediawiki-content/, que é onde procurar quando um link antigo não resolve.

Perguntas para reflexão

  1. O que a meta-análise de Nesbit & Adesope mede, e qual é a magnitude do efeito?
  2. Que achado inesperado aparece em Farrand, Hussain & Hennessy (2002)?
  3. Que parte da proposta de Buzan não sobreviveu ao escrutínio, e que parte sobreviveu?
  4. Como Novak & Gowin definem mapa conceitual, e em que ele difere do mapa mental?

Artigos relacionados

Referências🔗

  1. Buzan & Buzan (2010), The Mind Map Book, BBC Active — ISBN 978-1-4066-4716-7
  2. Novak & Gowin (1984), Learning How to Learn, Cambridge University Press — ISBN 978-0-521-31926-3
  3. Novak (2010), Learning, Creating, and Using Knowledge, 2ª ed., Routledge — ISBN 978-0-415-99185-8
  4. Nesbit & Adesope (2006), “Learning With Concept and Knowledge Maps: A Meta-Analysis”, Review of Educational Research 76(3) — DOI 10.3102/00346543076003413
  5. Farrand, Hussain & Hennessy (2002), “The efficacy of the mind map study technique”, Medical Education 36(5) — DOI 10.1046/j.1365-2923.2002.01205.x