Mapa de decisão
Estruturar uma decisão difícil: opções, critérios, riscos, hipóteses e o registro do que foi decidido e por quê.
O que você vai aprender
- Estruturar uma decisão em opções, critérios, riscos e hipóteses
- Pontuar opções sem confundir o número com a decisão
- Registrar o raciocínio de forma que ele sobreviva a seis meses
- Fechar o mapa quando a decisão for tomada
Antes de começar
Mapa de decisão🔗
Decisões difíceis são difíceis porque os critérios competem e as informações faltam. Um mapa não torna a decisão fácil — torna explícito o que a está tornando difícil, que é a única ajuda real disponível.
A raiz é uma pergunta🔗
Contratar mais uma pessoa ou terceirizar o backend?
Uma pergunta fechada, com data limite no atributo decidir até. Mapas cuja raiz é uma pergunta terminam; mapas cuja raiz é um tema, não.
A estrutura🔗
Contratar ou terceirizar? — decidir até 2026-08-30
├── O que já sabemos
├── Hipóteses
│ ├── (o que estamos supondo sem verificar)
├── Critérios
│ ├── custo em 12 meses peso: 3
│ ├── velocidade de entrega peso: 3
│ ├── retenção de conhecimento peso: 2
│ └── risco de dependência peso: 2
├── Opções
│ ├── Contratar CLT
│ ├── Contratar PJ
│ ├── Terceirizar com agência
│ └── Não fazer nada
├── Riscos
├── Consultados
└── RegistroOs quatro ramos que a maioria esquece🔗
Hipóteses. O que você está supondo sem ter verificado. “A demanda continua nesse ritmo.” “Conseguimos contratar em dois meses.” Marcar hipóteses é o exercício mais produtivo do mapa, porque decisões ruins quase sempre vêm de uma hipótese não examinada.
Marque cada uma com um atributo confiança (alta, média, baixa). As de baixa confiança que mais pesam na decisão são exatamente o que você deveria ir verificar antes de decidir.
Não fazer nada. É sempre uma opção e quase nunca é listada. Frequentemente é a certa.
Consultados. Quem opinou, quando, e o que disse. Evita a reunião em que alguém diz “ninguém me perguntou”.
Registro. O que foi decidido, quando, por quem, e — crucialmente — por quê. Este é o ramo que você vai reler.
Pontuando🔗
Cada opção recebe notas de 1 a 5 nos critérios, e uma fórmula calcula a soma ponderada lendo os pesos do ramo Critérios:
=def crit = node.map.root.find { it.text == 'Critérios' }.first()
crit.children.sum { c -> node[c.plainText].num0 * c['peso'].num0 }
Ver Matriz de decisão para as variações.
O número não decide🔗
Vale insistir nisto. A pontuação faz três coisas úteis, e nenhuma delas é decidir:
- Força a explicitar os critérios. Metade das discussões morre aqui, quando fica claro que duas pessoas estavam otimizando coisas diferentes.
- Força a explicitar os pesos. A outra metade morre aqui.
- Revela sensibilidade. Se mudar um peso de 2 para 3 inverte o resultado, a decisão é apertada e o número não deve ser levado a sério.
Quando o resultado da conta contradiz sua intuição, um dos dois está errado — e descobrir qual é o trabalho de verdade. Frequentemente é um critério que ficou de fora.
Análise de sensibilidade🔗
Um nó com:
=def opcoes = node.parent.children.findAll { it['pontuação'] }
def ord = opcoes.sort { -it['pontuação'].num0 }
def d = ord.size() > 1 ? ord[0]['pontuação'].num0 - ord[1]['pontuação'].num0 : 0
d <= 3 ? "APERTADO (diferença ${d})" : "clara (diferença ${d})"
Quando o resultado é “apertado”, a mensagem é: as opções são equivalentes dentro da precisão dos seus dados. Escolha pela que é mais fácil de reverter.
Riscos🔗
Um ramo por risco, com atributos probabilidade e impacto (1–5) e uma fórmula de exposição:
=node['probabilidade'].num0 * node['impacto'].num0
Ordene por exposição. Os dois ou três maiores são o que merece um plano de mitigação — os outros você aceita conscientemente, o que é diferente de ignorar.
Fechando🔗
Quando decidir:
- Marque a opção escolhida com ⭐ e estilo de destaque.
- No
Registro, escreva uma nota com: a decisão, a data, quem decidiu, o raciocínio, e o que faria você mudar de ideia. - Marque as hipóteses que continuam sem verificação — elas viram itens de acompanhamento.
- Salve e versione. Não apague as opções descartadas: o valor do mapa está em mostrar que foram consideradas.
O item “o que faria você mudar de ideia” é o mais valioso. Ele transforma uma decisão num compromisso revisável, e dá o gatilho concreto para revisitar.
Seis meses depois🔗
Reabra o mapa e compare com o que aconteceu. As hipóteses se confirmaram? Os riscos se materializaram? O critério que pesou 3 era mesmo o que importava?
Fazer isso duas ou três vezes melhora suas decisões seguintes mais que qualquer livro sobre decisão. É a única fonte de calibração que existe.
Você aprendeu
- Raiz como pergunta fechada com prazo;
Não fazer nadasempre entre as opções Hipótesescom nível de confiança é o ramo mais produtivo do mapa- A pontuação explicita critérios e pesos; não decide, e diferenças pequenas significam empate
- Registre o raciocínio e o que faria você mudar de ideia
- Reabra o mapa meses depois: é a única forma de calibrar suas decisões
Erros comuns
- Omitir
Não fazer nadadas opções, e comparar alternativas contra um cenário que ninguém avaliou - Tratar uma diferença de pontuação pequena como vitória: diferenças pequenas são empate
- Registrar a decisão sem registrar o que faria você mudar de ideia
- Deixar o mapa aberto indefinidamente — decisão sem prazo é decisão adiada
Perguntas para reflexão
- Por que
Não fazer nadaprecisa estar entre as opções? - O que o ramo de hipóteses acrescenta que a pontuação não dá?
- Por que registrar “o que me faria mudar de ideia” é parte da decisão?
- Como você fecharia um mapa de decisão, e quando?