Mapa conceitual
A técnica de Novak e Gowin, o que a distingue do mapa mental, e como o Freeplane consegue — em parte — fazer os dois.
Mapa conceitual🔗
Definição. Diagrama em que conceitos são ligados por relações rotuladas, formando proposições legíveis, sem exigir um centro nem uma hierarquia estrita.
O verbete mapa conceitual aparece também no glossário consolidado do guia.
Origem🔗
A técnica foi desenvolvida por Joseph D. Novak e colaboradores na Universidade Cornell, nos anos 1970, a partir de pesquisa sobre como crianças mudam de entendimento ao longo do tempo. Novak & Gowin descreveram o método em Learning How to Learn (1984); a fundamentação teórica vem da aprendizagem significativa de Ausubel, e a ideia central é que aprender é ancorar conceitos novos em conceitos que já se tem.
Isso explica a diferença de forma. Se o objetivo é expor a estrutura de conhecimento de alguém, não basta ver quais conceitos a pessoa conhece — é preciso ver como ela acha que eles se ligam. Daí a aresta rotulada.
Comparação🔗
| Mapa mental | Mapa conceitual | |
|---|---|---|
| Centro obrigatório | Sim | Não |
| Estrutura | Árvore | Grafo |
| Informação está | Na posição | No rótulo da aresta |
| Um nó, vários pais | Não | Sim |
| Ciclos | Não | Sim |
| Boa para | Decompor um assunto | Expressar como coisas se relacionam |
| Legibilidade com 100 nós | Boa | Difícil |
| Velocidade de construção | Alta | Baixa |
Nenhuma das duas é melhor. A pergunta é qual informação você precisa registrar.
O que o Freeplane faz e o que não faz🔗
O Freeplane é, na base, uma ferramenta de árvore. Mas ele tem duas saídas que o aproximam do mapa conceitual:
Conectores rotulados. Um conector desenha uma aresta extra entre dois nós quaisquer, atravessando a hierarquia, e aceita um rótulo. É exatamente a aresta rotulada de Novak, sobreposta a uma árvore.
Links internos. Um link para #ID_... salta a seleção para outro nó, sem desenhar nada. Serve para relações que existem mas não precisam poluir a tela.
O que não existe:
- Um nó não pode ter dois pais. A relação múltipla é sempre conector, nunca estrutura.
- Não há backlinks automáticos: o nó de destino não sabe quem aponta para ele.
- O layout é hierárquico. Um mapa que é essencialmente um grafo denso fica ilegível, porque o algoritmo de desenho continua tentando arrumá-lo como árvore.
A leitura honesta: o Freeplane faz mapa conceitual até certo ponto. Para dezenas de relações rotuladas sobre uma espinha hierárquica, funciona bem. Para um grafo com centenas de arestas e sem hierarquia natural, uma ferramenta de grafos serve melhor.
Uma receita híbrida🔗
Na prática, o arranjo que funciona é usar a árvore para a decomposição e os conectores para o que ela não consegue dizer:
- Monte a hierarquia primeiro, pela dimensão que você mais consulta. Ela dá o esqueleto e a navegabilidade.
- Acrescente conectores só onde a relação é significativa — dependência, contradição, origem. Um conector por relação que você realmente vai querer lembrar.
- Rotule todos. Conector sem rótulo é uma seta que, em três meses, você não sabe por que desenhou.
- Use links internos para o resto. Relações verdadeiras mas secundárias não precisam de aresta na tela.
- Se os conectores passarem a dominar o desenho, isso é informação: a hierarquia escolhida não é a dimensão primária do assunto. Vale refazê-la, ou mudar de ferramenta.
O passo 5 é o mais útil dos cinco. O número de conectores é um medidor de quão bem a árvore modela o problema.
Proposições que se leem🔗
O teste de qualidade de Novak é que cada conceito — relação → conceito deve formar uma frase que faça sentido lida em voz alta:
mapa mental —organiza→ um assunto
conector —expressa→ relação não hierárquica
atributo —torna consultável→ propriedade do nó
filtro —depende de→ atributo
Se a frase não fica de pé, o rótulo está vago (relacionado a, tem a ver com) e a aresta não está dizendo nada. Rótulos vagos são o modo mais comum de um mapa conceitual parecer rico e não informar nada.
Erros comuns
- Usar rótulos vagos como
relacionado a— a aresta ocupa espaço e não afirma nada - Tentar montar um grafo denso no Freeplane e culpar a ferramenta pelo desenho: o layout é hierárquico por projeto
- Esperar backlinks: o nó de destino não sabe quem aponta para ele
- Duplicar um conceito em dois ramos para simular dois pais, e ficar com duas cópias que divergem
- Confundir as duas técnicas e escolher a errada para a pergunta que você tem
Você aprendeu
- No mapa mental a informação está na posição; no conceitual, no rótulo da aresta
- A técnica vem de Novak & Gowin (1984), fundamentada na aprendizagem significativa de Ausubel
- O Freeplane faz mapa conceitual até certo ponto: conectores rotulados sobre uma espinha hierárquica
- Não há dois pais nem backlinks — a relação múltipla é sempre conector
- O número de conectores mede quão bem a hierarquia escolhida modela o assunto
Perguntas para reflexão
- Onde está a informação num mapa mental, e onde está num mapa conceitual?
- Por que a aresta rotulada é central na proposta de Novak?
- Que três limitações o Freeplane tem como ferramenta de mapa conceitual?
- O que um número alto de conectores indica sobre a hierarquia escolhida?
- Por que
relacionado aé um rótulo ruim?
Artigos relacionados
- Mapa mental — a outra técnica, e a evidência sobre ela
- Conector — a aresta rotulada no Freeplane
- Hierarquia e profundidade — o que a árvore consegue expressar
- Links e conectores — o tutorial prático
- Zettelkasten no Freeplane — outra estrutura em rede
- Livros e artigos — as fontes
Referências🔗
- Freeplane — Understanding nodes
- Freeplane — Scripting: links
- Novak & Gowin (1984), Learning How to Learn, Cambridge University Press — ISBN 978-0-521-31926-3
- Novak (2010), Learning, Creating, and Using Knowledge, 2ª ed., Routledge — ISBN 978-0-415-99185-8
- Nesbit & Adesope (2006), “Learning With Concept and Knowledge Maps: A Meta-Analysis”, Review of Educational Research 76(3) — DOI 10.3102/00346543076003413