O que você vai aprender

  • Estabelecer níveis relativos entre os instrumentos
  • Distribuir a mixagem no campo estéreo e no espectro
  • Seguir uma ordem de trabalho que evita retrabalho

Antes de começar

  • Uma faixa arranjada do início ao fim
  • Familiaridade com o FX Mixer e com o equalizador

Mixagem Básica🔗

Duração estimada: 60 minutos

Mixar é decidir o que o ouvinte escuta primeiro. Não é aplicar efeitos: é hierarquia.

Passo 0: preparar🔗

  1. Todos os instrumentos roteados para canais nomeados no FX Mixer.
  2. Nenhum efeito ativo ainda.
  3. Volume mestre em nível moderado.
  4. Ouça a faixa inteira uma vez, sem tocar em nada, e anote o que incomoda.

Passo 1: níveis, só níveis🔗

Comece com todos os canais baixos e suba um de cada vez, na ordem de importância:

  1. Bumbo — a referência. Ajuste-o para picar por volta de -6 dB no medidor.
  2. Baixo — deve sentir-se, não dominar.
  3. Caixa — clara, no mesmo plano do bumbo.
  4. Restante da percussão — abaixo dos anteriores.
  5. Harmonia — sustenta, não chama atenção.
  6. Lead / vocal — na frente de tudo.

Passo 2: panorâmica🔗

  • Bumbo, baixo, caixa e lead principal: centro.
  • Hi-hats e percussão: laterais leves, entre 20% e 40%.
  • Pads e elementos duplicados: mais amplos.

Depois de panoramizar, reveja os níveis: elementos deslocados para as laterais soam mais baixos, e podem precisar de compensação.

Passo 3: passa-alta em tudo que não é grave🔗

Um a um, coloque um Equalizer e ative o passa-alta:

InstrumentoCorte aproximado
Hi-hat, pratos400–600 Hz
Lead, melodia150–250 Hz
Pad120–200 Hz
Caixa80–120 Hz
Baixo, bumboNenhum

Suba até o instrumento começar a afinar, depois recue. A soma dessas limpezas costuma ser a diferença mais audível de toda a mixagem.

Passo 4: resolver conflitos🔗

Escute buscando pares que disputam espaço:

ConflitoSolução
Bumbo x baixoSidechain, ou EQ complementar
Caixa x leadCorte estreito no lead na frequência da caixa
Pad x vozCorte largo no pad na faixa de 1–3 kHz

Passo 5: espaço🔗

Monte os canais de envio e distribua reverb conforme a profundidade desejada. Grave seco, agudos com espaço.

Passo 6: referência🔗

Abra uma faixa comercial do mesmo gênero num player, iguale o volume percebido, e alterne entre ela e a sua a cada 20 segundos. Compare especificamente:

  • Quanto grave existe
  • Quão brilhante é o topo
  • Quão larga é a imagem estéreo
  • Qual elemento está mais à frente
💡

Ouça sua mixagem baixinho. Em volume baixo, o ouvido é menos sensível a graves e agudos, e o que sobra é o núcleo da mixagem. Se a faixa funciona em volume baixo, ela funciona em qualquer lugar. Se ela só impressiona alto, o equilíbrio está errado.

Passo 7: pausas🔗

Depois de 40 minutos, seu ouvido se acostuma e você perde a capacidade de julgar. Pare 15 minutos. Toda decisão tomada com ouvido cansado costuma ser desfeita no dia seguinte.

Erros comuns

  • Começar pelos efeitos e não pelos níveis
  • Mixar sempre alto e nunca conferir em volume baixo
  • Mixar com um instrumento em solo
  • Mixar por horas seguidas sem pausa

Você aprendeu

  • Resolva o equilíbrio só com níveis antes de qualquer efeito
  • Passa-alta em tudo que não é grave é a limpeza de maior impacto
  • Conflitos se resolvem dando faixas distintas a cada instrumento
  • Ouvir baixinho e fazer pausas são técnicas, não conselhos vagos

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Perguntas para reflexão

  1. Por que ajustar volume antes de aplicar EQ costuma resolver metade dos problemas de mixagem?
  2. O que significa “espaço no espectro” e como você o cria sem baixar o volume de nada?
  3. Qual a diferença entre pico e volume percebido, e por que ela importa na hora de comparar duas faixas?

Referências🔗

  1. LMMS — FX Mixer
  2. LMMS — Compressor
  3. ITU-R BS.1770-5 — Algorithms to measure audio programme loudness and true-peak audio level