Resumo

Dificuldades desejáveis são condições de aprendizagem introduzidas intencionalmente para dificultar a prática inicial, mas que resultam em retenção e transferência superiores a longo prazo. O conceito foi desenvolvido pelo psicólogo Robert Bjork. Bjork (2011)

O que você vai aprender
  • Por que dificultar a prática melhora a retenção de longo prazo
  • Como distinguir dificuldade desejável de dificuldade que só atrapalha
  • Quais técnicas do site são, na prática, dificuldades desejáveis

O que é

A ideia central é que o desempenho durante a aprendizagem não é um bom preditor de retenção futura. Quando o estudo flui com facilidade — reler, ouvir uma aula clara — sentimos que estamos aprendendo, mas essa fluência muitas vezes não se traduz em memória duradoura. Introduzir dificuldade deliberada força o cérebro a processar a informação mais profundamente.

As principais dificuldades desejáveis identificadas pela pesquisa são:

  • Prática espaçada em vez de massada (cramming)
  • Intercalação de diferentes tipos de problema
  • Prática de recuperação (testes) em vez de releitura
  • Variação no contexto e nos materiais de estudo
  • Geração de respostas antes de ver a solução

Cada uma dessas estratégias é tratada em sua própria página. Este artigo serve como visão geral do quadro teórico que as conecta.

Por que funciona

Quando a aprendizagem é fácil, as pistas de recuperação presentes durante o estudo ficam fortemente acopladas à memória — mas essas pistas podem não estar disponíveis mais tarde. Dificuldades desejáveis enfraquecem a dependência de pistas contextuais específicas e obrigam o aprendiz a reconstruir o conhecimento a partir de múltiplas rotas. Bjork (2011)

Bjork propõe que existem dois tipos de força na memória: a força de recuperação (quão fácil é acessar a informação agora) e a força de armazenamento (quão duradoura e bem conectada ela está). Condições que reduzem a força de recuperação momentânea — como espaçamento ou testes — frequentemente aumentam a força de armazenamento. Bjork (2011)

Como aplicar

  1. Resista à tentação de tornar o estudo "fluido" — se está fácil demais, você provavelmente não está aprendendo tanto quanto pensa
  2. Combine múltiplas dificuldades desejáveis: espaçamento + intercalação + recuperação
  3. Avalie com testes, não com sensação de familiaridade
  4. Aceite a frustração inicial — o benefício aparece em avaliações posteriores, não na sessão de estudo

Limitações

  • A "dificuldade" deve ser genuinamente produtiva — dificuldade que impede a compreensão do material não é desejável
  • Os benefícios são demorados a aparecer, o que pode desmotivar o aprendiz
  • Exige conhecimento prévio suficiente: dificuldades desejáveis em material completamente novo podem ser contraproducentes (Bjork & Bjork, 2011)
Leia também

Referências

  • Bjork, E. L., & Bjork, R. A. (2011). Making things hard on yourself, but in a good way: Creating desirable difficulties to enhance learning. In M. A. Gernsbacher, R. W. Pew, L. M. Hough & J. R. Pomerantz (Eds.), Psychology and the real world: Essays illustrating fundamental contributions to society (pp. 56-64). Nova York: Worth Publishers. ISBN 978-1-4292-3043-8.
  • Brown, P. C., Roediger, H. L., & McDaniel, M. A. (2014). Make It Stick: The Science of Successful Learning. Cambridge, MA: Belknap Press of Harvard University Press. ISBN 978-0-674-72901-8.

Referências