Resumo

A teoria dos níveis de processamento propõe que a retenção de uma informação depende da profundidade com que ela é processada no momento da codificação. Processar pelo significado (nível profundo) gera traços de memória mais duráveis do que processar pela aparência ou pelo som (nível superficial). Craik (2002)

O que você vai aprender
  • Por que processar pelo significado retém mais do que processar pela aparência
  • Como o efeito de auto-referência aprofunda a codificação
  • Como estudar com significado em vez de apenas reler

O que é

A memória não guarda tudo com a mesma força. O que determina a durabilidade de um traço é, em grande parte, o tipo de processamento que a informação recebeu quando foi encontrada. O framework dos níveis de processamento, proposto por Craik e Lockhart, distingue dois extremos:

  • Processamento superficial: você atende à forma da informação, como a aparência visual de uma palavra ou o som dela. Esse nível gera traços frágeis e de curta duração.
  • Processamento profundo: você atende ao significado, relacionando a informação com o que já sabe. Esse nível gera traços mais ricos e duráveis.

O processamento profundo não é um truque de memorização, mas uma consequência natural de entender e conectar. Quando você relaciona uma informação nova a conhecimentos prévios, ela fica ancorada em uma rede de associações que facilita a recuperação futura. Ekuni, Vaz & Bueno (2011)

Por que funciona

A profundidade do processamento afeta a força do traço de memória. Informação processada pelo significado é codificada em associação com outras ideias, criando múltiplas rotas de acesso. Já a informação processada apenas pela forma fica isolada, com poucas conexões e, portanto, mais sujeita ao esquecimento.

Um desdobramento prático é o efeito de auto-referência: processar uma informação em relação a você mesmo, perguntando "como isso se aplica à minha vida?", tende a produzir uma codificação mais profunda do que processá-la de forma abstrata. Relacionar o conteúdo a experiências pessoais adiciona camadas de significado que fortalecem o traço.

Congruência com a avaliação

A profundidade não é o único fator. Também importa a congruência entre como você estuda e como será testado. Estudar de forma congruente, usando métodos semelhantes ao que a avaliação vai exigir, melhora a transferência do conhecimento. Processamento profundo e congruência com a prova trabalham juntos: o significado dá durabilidade, e a forma de estudo alinhada à avaliação facilita o acesso no momento certo. Craik (2002)

Como aplicar

  1. Busque o significado ao ler ou assistir a uma aula, em vez de apenas passar os olhos
  2. Relacione com o que você já sabe, perguntando como o conteúdo novo se conecta ao antigo
  3. Use o efeito de auto-referência, perguntando como o material se aplica à sua vida ou aos seus objetivos
  4. Explique o conceito com suas palavras, o que força o processamento semântico
  5. Alinhe o estudo à avaliação, praticando no mesmo formato em que será testado

Limitações

  • A teoria descreve melhor o que acontece do que prevê com precisão quando um nível é "profundo" o bastante
  • Processamento profundo exige esforço e conhecimento prévio; sem base, é difícil conectar o novo ao que já se sabe
  • A profundidade sozinha não garante a recuperação: a congruência com a avaliação também importa
Leia também

Referências

  • Craik, F. I. M. (2002). Levels of Processing: Past, Present... and Future? Memory, 10(5-6), 305-318. DOI: 10.1080/09658210244000135.
  • Ekuni, R., Vaz, L. J., & Bueno, O. F. A. (2011). Levels of Processing: The Evolution of a Framework. Psychology & Neuroscience, 4(3), 333-339. DOI: 10.3922/j.psns.2011.3.006.

Referências